De vestuário à moda – Parte III
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- 22 de ago. de 2012
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O muro de Berlim foi erguido em 1961, confirmando em tijolos o ameaçador impacto do comunismo sobre o mundo acidental. De repente, tudo era libertação e revolução, e a juventude rejeitava o sistema. Os jovens tornaram-se decisivos para o comercio e a indústria – a aprovação dos pais perdeu a prioridade que um dia teve. Nada separava mais os inovadores dos caretas do que a arte psicodélica.
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O moderno e o antigo eram igualmente importantes para a moda e o estilo de vida nessa época. Nova York logo seguiu o exemplo, Paris tornou-se hipermoderna a o prêt-à-porter italiano quase se igualou à alta moda. Londres, o coração do Youthquake (apelido para a agitação provocada pelos jovens), tremia. Enquanto isso, nos EUA ameaçada pelo recrutamento, a geração contracultural abraçava o amor, a integração racial e o jeans pintado à mão.
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Twiggy - Lesley Hornby, personificou a geração Youthquake. Com cerca de 1,65m, aspecto magricela e desajeitado, Twiggy nunca sonhara em ser modelo, mas seu corpo assexuado e pernas compridas formavam a perfeita silhueta subversiva. O período de paz e amor livre, perdurou além do festival de Woodstock em 1969.
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Nos anos 1970, o momento Glitter e Glam fornecia uma produção de extremos,”sem restrições nem regras”. As fronteiras da alta-costura internacional se alargaram conforme costureiros promoviam desfiles em outros países. A moda underground tornara-se praticamente dominante, com uma influência primordial do clubwear. E a retromania trazia consigo o romantismo que estava no ar. A fascinação de então pelo mundo dos coquetéis dos anos 1930, e deu-lhe uma pitada de anos 1920 e um quê da maluquice dos anos 1940.

Yves Saint Laurent e Jean-Paul Gaultier
Já nos anos de 1980, o estilo da rua e a moda não convergiam apenas, sobrepunham-se, subdividindo-se em subculturas e coexistindo. Após a súbita morte de Christian Dior, em 1957, Yves Saint Laurent assumiu o manto de costureiro-chefe da Maison Dior e sua primeira coleção para a casa foi aclamada. As façanhas históricas do “Rei Sol da Moda” o consagraria e sua reputação o precedeu como homem que havia instigado o prêt-à-porter parasiense como uma alternativa viável à alta-costura. Em 1983, Diana Vreeland homenageou Saint Laurent com a primeira retrospectiva monográfica já realizada para um costureiro vivo no Costume Institute do Metropolitan Museum of Art de Nova York.
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O tempo pareceu andar mais depressa no final do século XX. O progresso tecnológico e a melhoria das comunicações facilitaram trocas instantâneas e desenvolvimento constante. A moda sempre foi um equilíbrio de inovação e reinterpretação, mas, nos anos 1990, o futurismo pós-modernista competia com a reavaliação do vestuário de décadas anteriores.
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Um grupo de modelos foi promovido por suas agências como personalidades e remunerado com valores nunca imaginados. O fenômenos centrou-se em torno de Christy Turlington, Linda Evangelista, Cindy Crawford, Karen Mulder, Elaine Irwin, Niki Taylor, Yasmeen Ghauri, Claudia Schiffer, Naomi Campbell, Tatjana Patitz . As supermodelos eram uma presença esperada nas coleções de alta-costura, em que se considerava necessário que as roupas mais caras do mundo fossem mostradas pelas modelos mais caras.
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O consumismo exagerado começou a despertar uma reação que surgiu quando designers passaram a misturar vintage, roupa de rua e influências musicais. Alguns designers reagiram à rejeição da ostentação com uma extensão de seus próprios valores na direção de um purismo depurado. A mensagem não consumista com suas alusões ao espiritualismo e a questões verdes, profetizava a postura antimoda que deveria se infiltrar na indústria durante a década seguinte.
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O estilo característico de Jean-Paul Gaultier, apelidado o “enfant terrible” da moda francesa, desenvolveu-se nos anos 1980, quando ele misturou influências da rua com uma modernidade de vanguarda, firme e atrevida. A sexualidade ambígua foi uma presença constante em sua passarela ao longo das décadas de 1980 e 1990. Foi o primeiro costureiro a mostrar roupas para ambos os sexos em suas apresentações. Graças ao sucesso de seu desenho para a alta-costura, em 2003 foi tema de uma exposição retrospectiva no Victoria & Albert Museum, em Londres.
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No final do século XX, a fixação de marcar tornou-se um exercício de extrema importância na moda. A “logomania”, como passou a ser chamada, acelerou-se. Usar o logotipo para reafirmar o status da marca foi em parte resultado de uma onda de aquisições e fusões na indústria de roupas de luxo.
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Os anos 2000, fez do materialismo uma escolha do estilo de vida pela mulher independente e moderna, retratando a moda como o único campo que reunia os elementos da sexualidade liberada e do rápido modo de vida urbano. Nos últimos cinquenta anos, o futurismo na moda existiu lado a lado com um olhar para o passado. Foi esta mistura que contribuiu para a criatividade – o reconhecimento do valor das coisas passadas e o desejo de seguir em frente.
Texto baseado no livro Cronologia da Moda de NJ Stevenson

Christy Turlington, Linda Evangelista, Cindy Crawford, Karen Mulder, Elaine Irwin, Niki Taylor, Yasmeen Ghauri, Claudia Schiffer, Naomi Campbell, Tatjana Patitz
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